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Palácio da Democracia celebra 100 anos com palestras sobre história, arquitetura e memória

Evento no TRE-RJ revisitou a trajetória do edifício, do Banco Transatlântico Alemão à sede da Justiça Eleitoral fluminense

Descrição da Imagem: Da esquerda para a direita, os participantes do evento Alexandre Meira, Mau...

O Palácio da Democracia, sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), foi tema de palestras realizadas, nesta quinta-feira (23), para celebrar o centenário de sua inauguração. Na abertura do evento "O antigo Banco Alemão Transatlântico, hoje Palácio da Democracia", o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, destacou o significado simbólico que a história do edifício carrega. ”As paredes que antes guardavam ativos financeiros, hoje protegem o voto e a lisura do nosso processo eleitoral”, afirmou o magistrado.

O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Fernando Chagas, enfatizou a importância do evento, como oportunidade para compreensão do passado, contribuindo no exercício da democracia. 

Promovida pela Seção de Gestão da Informação e Memória (Secgim), a atividade faz parte da programação do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal, que celebra os 100 anos de edifícios históricos inaugurados em 1926, quando o Rio de Janeiro era a capital do país. 

Durante sua apresentação, o chefe da Secgim, Rodrigo Japiassu, ressaltou a trajetória do centenário edifício, que originalmente abrigou o Banco Transatlântico Alemão até ser incorporado ao patrimônio público durante a Segunda Guerra Mundial. "Este prédio de arquitetura riquíssima representava a modernidade do Rio como capital federal e, após décadas servindo a órgãos de finanças, foi tombado em 2001 por sua importância simbólica e histórica", afirmou o palestrante ao detalhar a preservação dos elementos artísticos e a autenticidade material do imóvel.

Sobre a nova fase como sede do TRE-RJ, Japiassu enfatizou o profundo processo de ressignificação iniciado em 2023, quando o local foi batizado como Palácio da Democracia. "O desejo do tribunal é que este espaço seja a casa da democracia fluminense, transformando um antigo centro econômico privado em um ambiente de celebração de valores republicanos e de defesa da integridade do processo eleitoral", declarou. 

Em sua palestra, o historiador e chefe da Seção de Editorações e Publicações (Sedep), Maurício Duarte, discutiu como a modernização da cidade no início do século XX e as reformas urbanas da época buscavam "civilizar" a cidade sob forte influência da arquitetura europeia, especialmente o estilo eclético francês que encantava as elites da época. “A escolha estética visava atrair  a elite da população, afinal tratava-se de um empreendimento que tinha como público grandes investidores. Não era um banco popular", afirmou.

O palestrante também abordou a face excludente desse progresso, caracterizada pela hierarquização e segregação do espaço social. “A população pobre foi expulsa para as periferias. Esse modelo de cidade buscou apagar as manifestações culturais populares em favor de uma ‘Paris tropical’ que mantinha as profundas desigualdades sociais e o racismo estrutural”, avaliou.

A historiadora e servidora da Secgim Ana Paula Silveira de Andrade destacou o estilo eclético da década de 1920, marcado pelo uso inovador de ferro e cimento armado, e defendeu que a arquitetura funciona como uma linguagem social. Uma "escultura habitável" que projeta valores e molda a identidade da cidade. Para ela, preservar o patrimônio não significa congelá-lo no tempo, mas adaptá-lo para que continue servindo à sociedade. "O patrimônio arquitetônico é a memória social tornando-a visível e habitável; ele não deve ser entendido como relicário intocável de eras mortas, mas como organismo vivo que necessita do uso e da apropriação social para continuar fazendo sentido", finalizou. 

CIRCUITO CELEBRA PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO ANTIGO DF

O Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal é um percurso histórico-cultural pelo Centro do Rio de Janeiro que revisita quatro edifícios emblemáticos construídos em 1926, o Palácio Tiradentes, o Museu da Justiça, o Palácio da Democracia e o Edifício Touring. 

Organizada pelo Museu da Justiça, a  iniciativa busca revisitar a história urbanística, cultural e política do antigo Distrito Federal por meio de atividades, como palestras e visitas guiadas, que buscam valorizar o patrimônio histórico da cidade.

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